escrito por Ildefonso DÉ Vieira
Estamos em “1968” que, de acordo com o livro do jornalista Zuenir Ventura, é “o ano que não terminou”. O mundo vive grandes transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, rebelião de estudantes em Paris, Primavera de Praga, passeata dos cem mil pela morte do estudante Edson Luís na UFRJ, prisão dos estudantes da UNE em Ibiúna.Por alguns centésimos de segundos o atleta José Alan Máximo (melhor goleiro da história de Guidoval, na opinião de muitos, inclusive a minha) não consegue se classificar para participar da Equipe Brasileira nas Olimpíadas no México.
O obscurantismo da ditadura militar edita o AI-5 em 13/12/1968. Em síntese podia-se decretar Estado de Sítio, recesso do Congresso, Assembléias e Câmaras de Vereadores. Suspender a garantia de HABEAS CORPUS e direitos políticos de quaisquer cidadãos. Intervir nos Estados e Municípios. Proibir de freqüentar determinados lugares, ter a liberdade vigiada. Ou seja, não mais se podia nem conversar fiado na “ESQUINA”.
A morte, normalmente, traz grande dor. Não foi diferente em 09/12/1969, quando um trágico acidente fez toda cidade chorar a perda de quatro conterrâneos de uma só vez: Iolanda Bressan da Costa, Nair Bressan da Costa, Vereador Sebastião Inácio da Costa e Vereador Natalino Dornelas de Oliveira, Presidente da Câmara Municipal e o principal candidato a prefeito na eleição vindoura.
O regime de exceção não consegue calar a irreverência de alguns jovens guidovalenses que nos botequins levantavam copos de cerveja e davam “Viva à Rússia”, como consta na Ata da Câmara de 16/08/1970. Não eram comunistas nem subversivos, manifestavam insatisfação contra o golpe de 64. Só isso, mas dedos-duros de plantão denunciavam aos militares qualquer arroubo juvenil.
Nas eleições municipais de 15/11/1970 a Professora Carmem Cattete Reis Dornelas foi a primeira mulher a ser eleita vereadora em nossa cidade. Teve a maior votação até à época conseguida por um edil. O ingresso na política da nossa grande educadora foi a forma que ela encontrou de homenagear o marido, Natalino Dornelas, falecido menos de um ano antes. Por duas legislaturas honrou a nossa Câmara Municipal com criatividade, dedicação e sabedoria.
No dia 23/03/1971 morre Padre Oscar de Oliveira um dos maiores benfeitores de nossa terra. Liderou os católicos, participou ativamente da vida do município. Vieram vários sucessores: Pe. Venício, Pe. João Beentys, Pe. Cassemiro, Pe. Antônio, Pe. Catarino, Pe. Jorge Passon, Pe. José Carlos Ferreira Leite, Pe. Semer e Frei Adriano. Todos com obras e realizações, mas nada que se compare à administração do Paroquiato de Padre Oscar que construiu a nossa monumental Igreja Matriz de SANTANA e a bela TORRE, a qual batizou de “IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA”.
Uma semana depois, 30/03/71, vereadores enaltecem o sétimo aniversário da “redentora” de 64. Em Guidoval, desde a extinção do PSD, UDN, PTB, PR e outros partidos, nossos políticos refugiaram-se na ARENA, legenda governista.
Aos 84 anos, no dia 02/10/1972 morre Elisa Ribeiro, a querida Vó Elisa. Por mais de 60 anos fez partos em Guidoval e nas cidades vizinhas, principalmente em Ubá e Visconde do Rio Branco. Não se sabe ao certo quantos partos foram feitos por ela, mas pode-se dizer que era raro o dia que não ajudava mais uma criança a vir ao mundo.
O íntegro Prefeito Cândido Mendes foi eleito para um mandato-tampão de dois anos que terminou em 30/01/73. Neste curto espaço de tempo executou várias obras com destaque para a urbanização da Praça Getúlio Vargas, o calçamento da Rua Belarmino Campos, a ampliação da rede de esgoto, melhoria no abastecimento d'água e conservação das estradas rurais. Católico praticante, cursilhista atuante, ajudava a Paróquia participando de encenações da Semana Santa quando personificava Pôncio Pilatos. Já no carnaval fantasiava-se em animado folião. Sua paixão por carros e motores consolidou a fama de um dos melhores mecânicos da região. Hábil motorista, excelente caminhoneiro percorreu quase todo o Brasil. Leitor habitual de revistas em quadrinhos, retornava de suas viagens trazendo vários gibis, abastecendo a minha infância com revistas do “Fantasma, Mandrake, Manda-Chuva, Zé Carioca e Cavaleiro Negro”. Aproveito este espaço para dizer da minha eterna gratidão ao fraternal amigo familiar Cândido Mendes.
Na festa de Santana de 1974 recebem o Título de Cidadão Guidovalense Astolfo Francisco dos Reis e Dr. Jorge Sobral Venâncio, o primeiro estudante do “Grupo Escolar Mariana de Paiva” a retornar à nossa terra natal depois de formado para exercer a sua nobre profissão de médico. Na infância, criou o time de futebol “Getúlio Vargas Futebol Clube”. Guardo dessa época amigos para a vida inteira. No primeiro confronto esportivo jogou com o Tarcísio do Rafael Cusati, Fabinho do Zé Estulano, Aurinho e Quinca do Áureo Ribeiral, Roberto e Gilberto do Geraldo Pinheiro, Teixeirinha e Alonso da D. Violeta, Dé do Zizinho do Marcílio, Zé Ratinho (sobrinho do Pujonas) e Nélio do Gil Queiroga.
A idéia, do Dr. Jorge, surgiu num longínquo 15/12/1963 quando o FLAMENGO sagrou-se mais uma vez campeão carioca. Dirão os torcedores de outros clubes: Por que intrometer nessa história o rubro-negro? Fácil! “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo” diria a saudosa Nilza Ribeiro, como também toda família de João Matos, Severino Occhi, Artur Lagartixa, Vianelo Silva, Robert e Marcellus C. R. Dornelas.
Para mostrar que o torcedor do MENGO é imparcial e justo, tentarei me redimir lembrando torcedores de outros clubes como o América de Jésus e Cléber Ribeiro; Bangu do Mundico; Cruzeiro belo-horizontino da família Duzin Vieira, Antônio e Gonçalo Matos; GALO de Padinha Occhi, Cláudio do Domício, Zé Júber da Risoleta e Adão Nogueira; Fluminense de Wilson Ribeiro e João Tolentino; Botafogo da família Pinheiro, Márcio Barbosa, Elzo de Barros e Dr. Jair Venâncio; Vasco da Gama da família de Adauto Ribeiral, Geraldo do Bar da Esquina e Oscar Occhi; que tinha um bar, mais conhecido como o “Rei do Bife Acebolado”, onde na década de 70 podia-se ouvir Odilon Reis ao violino e Sô Nilo ao violão acompanhando a bela voz da Carminha do Virgílio ou escutar o Professor Salim recitando “Rapsódia Negra”.
Falando de bife me deu fome ao recordar a delícia da culinária guidovalense. Nunca é demais lembrar do lombo do Wagner do Bar da Esquina, do churrasquinho no espeto do bar do Marquinhos do Recanto dos Amigos, do frango com quiabo do João Vicente, da feijoada do Diógenes, duns torremos no Bar do Ivo, de um pedaço de frango frito do Canico, galinhada do Jorge do Tilúcio, uma picanha no Chiquitin, cascudos do Beira-Rampa, depois Beira-Rio da Graça Campos, o sabor de um cabrito à caçadora da D'Lourdes Ramos, um PF caprichado da Fatinha, dos pastéis da D. Mimi Ramos, empadão de palmito da D. Iolanda Fernandes da Silva, do bolinho de bacalhau da Maria do Mazin, cambuquira da Vovó Jandira, torta de biscoito da D.Tereza do Duzin Vieira ou da macarronada da D. Tita, minha mãe. Isto sem falar da taioba, angu, jiló e abobrinha. De aperitivo, uma pinga comprada fiado no Felismino. Para beber, uma cerveja gelada do Bar do Fiim Kiel ou um abacatinho do Bar do Tarcísio. A sobremesa pode ser caçarola da Padaria do Edson, canudo da Alice Nogueira, picolé de amendoim da Irene Avidago Occhi, doce-de-leite mole de Geni Reis Barbosa, goiabada ou caramelos da D. Lourdes Magalhães Ribeiral, mangada da saudosa D. Olga Ribeiral Bressan, compotas da D. Ida do Dr. Mário Meireles, brigadeirão da Maria do Celso Sampaio, cajuzinho de D. Luziinha Rossi ou da Auxiliadora Matos, brevidades da Mariana Bandeira, bombons da Aparecida do Beijamin, pés-de-moleque da Tia Feinha mãe do Mundico. Para despedida ou conversa ligeira, um licor da D. Efigênia Maciel Reis ou um leite-de-onça feito pela saudosa Terezinha Ribeiro do Paulo Ramos ou então um café de rapadura da saudosa Vovó Maria José Alves acompanhado dos biscoitos fritos da Vicentina Marcelo Magalhães.
Algum leitor, recordando-se da avó, tia, namorada, mãe ou esposa, poderá dizer que deixei de mencionar várias mulheres que são quituteiras especiais. E eu direi que concordo. A sintética lista foi uma forma que encontrei de homenagear a todas maravilhosas mulheres guidovalenses.
No dia 06/09/1976 o digníssimo e saudoso Dr. Edgard Reis de Andrade completava 50 anos de idade. Foi um dos guidovalenses mais ilustres de nossa história. Ocupou os mais altos cargos da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais. Cultivou os amigos de infância e quando retornava a Guidoval fazia questão de visitar a todos, sempre com um sorriso e abraço carinhoso. Também angariou novos amigos pelas cidades em que trabalhou, as quais lhe retribuíam a benemerência com Título de Cidadão, é o caso de Leopoldina e Juiz de Fora. Casou-se com Therezinha Queiroz Andrade e tiveram quatro filhos: Mª de Lourdes, Margareth, Fernando e Edson, este um grande violonista, professor da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Apresenta-se sempre como Spalla convidado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Tem um filho, Edson Scheib, também virtuose no violino, que gravou o CD “24 Caprichos de Paganini” e atualmente aprimora seus conhecimentos musicais na Áustria, terra de Mozart. Estes talentosos músicos são neto e bisneto de João Vieira de Queiroz, considerado o melhor violonista da história do Sapé e para quem Sô Nilo fez o choro “Queiroz do Pinho”.
Descendente dos doadores do terreno para a criação da Paróquia de SANTANA, Luciano Ferreira da Costa teve a feliz iniciativa de criar o Festival de Batidas, evento que depois, por vários anos, enriqueceu o calendário festivo de Guidoval. Contou com ajuda de vários conterrâneos, com destaque especial para Sueli Vieira Gomes e Luiz Fernando Teixeira Albino. O Primeiro Festival realizou-se, com pleno êxito em 31/10/1976.
Nas eleições municipais de 15/11/1976 apresentaram-se quatro candidatos a prefeito, todos de prenome José, porém mais conhecidos pelos apelidos de Teixeirão, Didi, Zequinha e Zizinho que venceu a eleição com 1801 votos, a maior votação já conseguida, à época, por um político em Guidoval.
Falando de ZÉS, eu que sou um filho de José e Maria, lembro de alguns conterrâneos conhecidos por ZÉ: do Brejo, Manga Rosa, Boióta, Afra, Bento, Timóteo, Negueta, Balbino, Fendederracha, Vieira, Bonifácio, Firmino, Pequeno, Braga, Dilermando, Cusati, Albino e também algumas MARIAS: do Pombal, Lepoldo, Benzedeira, Triste, Caboclo, Tatanita, Sabiá, Pereira.
Em abril de 1.977 surgiu o jornal SACA-ROLHA. O que parecia ser apenas uma brincadeira, dos jovens Antônio Augusto Rossi (Brito), Márcio Dias, Edgar Avidago Andrade e Luiz Oliveira, tornou-se um sério (sem ser senil) porta-voz dos anseios dos munícipes de nossa querida terra natal.
Nestes quase 29 anos de existência honraram as suas páginas colaboradores ilustres como o Padre Casemiro, os médicos Wilton Franco, Jorge Sobral Venâncio e Ronaldo Ribeiro dos Santos, os professores Ibsen Francisco de Sales e Antônio Barbosa, os poetas Zé Geraldo, João Coelho, Zé Francisco Barbosa e Marcus Cremonese, além do talentoso e jovem cientista Rodrigo Oliveira.
Ao longo de frutífera existência, o SACA-ROLHA brigou pelo asfalto ligando Guidoval a Ubá. Condenou o gesto desumano de "marmanjos e marmanjas" agredindo a um indigente com problemas mentais, o Berto de Paula. Constatou o mau cheiro nas ruas centrais da cidade. Estimulou o crescimento do SER 66. Criticou a inércia da AREG. Desfilou no jubileu da então Escola Estadual Guido Marlière. Elogiou personalidades como a D. Maria Leopoldo, o Maestro Sô Tute, Dr. Mário Meireles, Urcecino (sacristão), Renato Ramos, José Bressan, Mirandolino Pinheiro. Enfrentou sem medo a cara fechada de algum vereador descontente com as notícias veiculadas no jornal. Incentivou o Festival de Batidas. Lutou pela instalação do Colégio de 2º Grau. Noticiou o lançamento da Luz Negra devido a deficiência de iluminação nas ruas. Participou da 1ª Mini Olimpíada Guidovalense. Promoveu Concurso de Contos. Reclamou dos bois de um delegado "pastando na pracinha". Reivindicou o escritório da EMATER.
O SACA-ROLHA foi, é e será sempre assim. Veste LUTO com as famílias quando da perda de um ente querido. Consta do seu obituário, entre outros, o Sô Marcílio Vieira, Waldemar Rufino (Sô Nego), D. Margarida Geraldo, D. Alzira de Freitas Vieira, Sô Augusto Pinto, Sô Juquinha de Barros e até fez uma Edição Especial para Gracinha do Geraldo Franco, o Kôde. Publica os nossos poetas. Aplaude e divulga nossos músicos e escritores. Acompanha os movimentos esportivos, principalmente o futebol. Canta parabéns aos aniversariantes. Denuncia sistematicamente a poluição do Rio Chopotó e abre espaço permanente para o MEG (Movimento Ecológico Guidovalense).
Muito do que antes era apenas uma pregação cívica do SACA-ROLHA, hoje é uma realidade. Outras demandas, por enquanto inglórias, continuam em pauta permanente. Parte da história de um povo é registrada em jornais. O SACA-ROLHA, mesmo com todas as dificuldades, tem cumprido esta missão. Os nossos parabéns ao Diretor e Redator Renato Moreira da Silva.
Morre Gumercindo Alves Rodrigues, o Sô Gomes, em 27/06/1977. Residia à Rua Padre Baião, perto da mina d'água do Pedro Ribeiral. Munido de martelo, torquês, puxavante, ferradura e cravos, tinha por ofício “ferrar eqüinos e muares”. Às vezes acontecia do martelo fugir do cravo e acertar-lhe o dedo, motivo mais que natural para recitar sonoros palavrões, imediatamente aprendido pela criançada da Rua do Campo.
Outro notável “ferrador de cavalos” é o cavaleiro Zé Bento que exerce esta profissão em extinção, assim como vão sumindo os alfaiates, ferreiros, celeiros, mascates e sapateiros. O progresso colaborou para essa extinção. Sumiram de nossas ruas as mulas do Sô Marcílio, Tatão de Freitas e Luiz Marinho, o cavalo “Quebra-Coco” do Zé Bressan, o alazão marchador do Odilon Marcelo, a égua fora-do-prumo do Nicélio, a charrete do Quizin Pinto, o peão Casanova, o domador de cavalos Manuel Barbosa da Serra da Onça e o adestrador Custódio Gato.
O Saca-Rolha de novembro de 1977 noticiou o Segundo Festival de Batidas e a Primeira Mini-Olímpiada Guidovalense que não vingou, não teve prosseguimento. Uma lástima, poderia ter se transformado em um grande sucesso. Por esta época não mais se via pelas nossas ruas o Congado do Benedito Medeiros, a Igrejinha São José, nenhum cinema, o Canário da Terra, tampouco o burro Piano que por muitos anos serviu com presteza a prefeitura. No dia 1º de maio de 1978 o Ginásio Guido Marlière comemorou JUBILEU DE PRATA com um desfile inesquecível. Vingou o ideal do clarividente Professor Ernani Rodrigues. A programação durou três dias e teve futebol, gincana, baile, churrasco e Festival de Chopp.
Valho-me dessa ocasião para homenagear aos nossos mestres lembrando de Nadir Cunto Simões, Eurídes e Élvia Reis Andrade, Carmem Cattete, Mariana de Paiva, Célia Teixeira Albino, Jesuína Simões de Mendonça, Cecília, Conceição, Glorinha, Marta e Vésper Vieira, Zilda de Araújo Mendonça, Arlete Avidago Andrade, Odete e Glória Queiroz, Olga, Zuleika e Marta Ribeiral, Kerma da Cunha Benini, Eneida Pereira, Graça Bressan Geraldo, Dalva Franco, Inês e Terezinha Geraldo, Vera Oliveira, Mª de Lourdes Bressan, Luiza Rosa Occhi, Nicolina Martins de Castro, Ivone Vieira Pereira, Lyra Araújo Porto, Ester Reis, Dionísia Cardoso Pinto, Maria Marcília Vieira, Neli Marques de Oliveira, Sueli Vieira Gomes, Ana Marcília Ramos, Maria Raimunda, Soraia Vieira Queiroz de Souza, Elaine Ramos Vieira Pinheiro, Ibsen Francisco Sales, Joaquim de Freitas, Evandro Marques de Oliveira, Aristides Rocha, José Carlos Estevão (Carlinhos) e Renato Moreira da Silva, alguns dos nobres profissionais que consolidaram o ensino em nosso município.
Muitos professores poderão estranhar a não citação de seus nomes. Não foi proposital e sim esquecimento da minha fraca memória. Desde já peço desculpas pelo lapso involuntário. Afirmo a estes mestres que tal fato não acontecerá com os seus ex-alunos, pois como diz um texto que corre na internet, podemos não saber o nome das cinco pessoas mais ricas do mundo ou de dez vencedores do prêmio Nobel ou ainda os quatro últimos vencedores do Oscar, mas ninguém esquece dos professores que nos ajudaram na nossa formação, dos amigos que nos apoiaram nos momentos difíceis, das pessoas que nos fizeram e fazem sentir alguém especial. E depois disse Guimarães Rosa “Mestre não é quem ensina, mas quem de repente, aprende”.
O ano de 1979 foi fértil na vida de nossa cidade. Em janeiro, tornou-se realidade o sonho de Vasco Cândido dos Reis, inaugurando-se a Sociedade Esportiva 66 (SER 66). Nossas crianças não precisavam mais nadar na Ponte Guarani (Joca), na Cachoeira, nas pedras do Sô Nego ou na Prainha da Serra da Onça, sujeitando-se a adquirir uma cruel xistosomose. Tínhamos afinal um clube, fruto da obstinação e muito desprendimento do líder e idealista Vasco Reis.
No carnaval de 1979 a “Calouros do Samba” do Tilúcio trouxe para as ruas da cidade enredo denunciando a poluição do Rio Chopotó que terminava com os versos
“Chora, Chopotó/Chora, meu povo / Nem que seja com lágrimas / Vamos regá-lo de novo.”
Infelizmente versos não regam rios. O jornal Saca-Rolha publicou matéria sobre a poluição, o Prefeito José Vieira Neto concedeu entrevista à TV Globo sobre o assunto, procurou insensíveis autoridades estaduais para que providências fossem tomadas a fim de reabilitar o nosso principal curso d'água, fonte de vida dagora e futuro. Tudo em vão. Mesmo a luta do MEG parece inútil. O nosso Rio Chopotó continua morrendo. É preciso urgente fazer um trabalho gigantesco, autoridades e comunidade, para recuperar os nossos córregos, revitalizar as matas ciliares, combater as erosões e assoreamento, impedir os desmatamentos criminosos, fazer parcerias com a Universidade de Viçosa, EMATER, IEF e Ministério do Meio Ambiente.
Em março de 1979, durante a administração do Prefeito José Vieira Neto, é inaugurado o asfalto Guidoval-Ubá, realização do então Governador Ozanan Coelho que ainda contribuiu para outros melhoramentos como a Ponte Guidoval-Rodeiro, próximo ao encontro dos rios Ubá e Chopotó, o prédio da atual Escola Estadual Mariana de Paiva, construção das 10 primeiras casas para necessitados na Av. Sebastião Ignácio da Costa.
O atento jornal Saca-Rolha, nesse mês, tece merecidos elogios ao Governador pela magnitude da obra. Dr. Ozanan, sempre presente em nossa terra, além de lutar pela emancipação política, foi um dos grandes benfeitores do município. Até hoje não fizemos uma homenagem que lhe faça justiça.
Por volta do meio-dia de 26/07/1981, à porta da Igreja Matriz de Santana, vão chegando jovens, já não tão jovens assim, para uma reunião combinada dez anos antes. São amigos de infância e juventude, conhecidos como a Turma da Santa Cruz. Foram os pioneiros a chegar ao topo Serra de Santana. Encontravam-se todos os dias durante as férias ou nos feriados e fins-de-semana. Conversavam, filosofavam depois saiam às ruas em serenatas às amadas e aos amigos.
O líder intelectual e espiritual do grupo era o Dr. Wilton Franco autor da linda bandeira do município. Médico, humano e humanista tinha sempre uma palavra amiga, um conselho ou um consolo para os momentos de angústia e aflição. Participava de todos os movimentos culturais, sociais e esportivos da cidade. Menos de 11 anos depois desse encontro a morte nos roubou o Dr. Wilton. DEUS, Senhor de tudo, também tem as suas preferências e quis a sua companhia mais cedo.
Na festa de Santana de 1982 teve o lançamento do livro “Saudade Sapeense” contendo crônicas, poemas, contos e poesias de guidovalenses. Ao coquetel oferecido no Salão Paroquial compareceram os escritores e a sociedade em geral. No livreto, à página 52 podemos ler o Hino de Guidoval composto por Plínio Augusto de Meireles e Áureo Antunes Vieira.
Somos uma terra hospitaleira e pródiga em abrigar imigrantes. Os estrangeiros sempre foram bem-vindos. Primeiro chegou Marlière e a sua comitiva, depois dele muitos outros, vindos principalmente de Portugal e da Itália. Vou relembrar algumas famílias: Avidago, Ribeiral, Bressan, Occhi, Candian, Fouraux, Quinelato, Urgal, Pinto, Coelho, Lopes, Souza, Silva e Vieira.
Alguns viraram comerciantes, industriais, prestadores de serviço, muitos foram para o campo trabalhar a terra, produzir o alimento nosso de cada dia. São na maioria pequenos agricultores, devido a divisão de terra em heranças sucessivas. Hoje o município é praticamente dividido em pequenas glebas, minifúndios para agricultura de subsistência.
Poucos chegaram a fazendeiros como João Germano, Horácio, Antenor e Afonso Bressan, Astolfo Mendes de Carvalho, Antônio Pacheco Ribeiral, Cristiano Alves, Geraldo Cândido, Alaor Martins, Jacinto Pereira na Serra da Onça, Família Lopes do Córrego do Rosa, Família Aleluia do Ribeirão Preto, Família Coelho da Boa Esperança, Família Amaral da Boa Vista e o saudoso e bem-humorado Tito Dilermando (Félix Magalhães), de quem ouvi divertidas histórias.
Morre o Prefeito Eduardo Nicodemo Occhi no dia 06/05/1983 e o Governador Ozanan Coelho em 30/03/1984. Guidoval começa a se empobrecer politicamente.
No dia 21/04/1985 morreu Tancredo Neves e o sonho da Nova República. O Saca-Rolha nada noticiou, pois não circulava desde 1980 só voltando a ser impresso 15 anos depois.
No dia 20/04/1988 um vereador na nossa Câmara Municipal requereu moção de aplauso a Fernando Collor, Governador de Alagoas, por seu combate à corrupção e aos marajás de seu estado. O tempo, senhor da razão, provou que era uma farsa o governante alagoano.
No último dia de 1988 terminava o terceiro mandato do empreendedor Sebastião Cruz à frente da prefeitura municipal. Todo prefeito eleito representou ou representa a vontade do povo, mesmo que discordemos do resultado eleitoral. De todos os políticos o que mais representou os anseios da população foi Sebastião Cruz. Foi o maior realizador de obras no município. Revolucionou a administração pública em nossa cidade.
Filho de lavradores, ficou órfão aos 12 anos. Só foi aprender ler e fazer contas aos 15 anos de idade, mesmo assim porque pagou um professor particular para lhe ensinar em período noturno, pois não havia escolas no meio rural.
Iniciou-se na atividade política em 1945, na campanha de Dr. Ozanan Coelho para Deputado Estadual. Depois se elegeu Vereador duas vezes para a Câmara Municipal, a primeira e segunda legislatura.
Sofreu a primeira derrota eleitoral sendo candidato a Vice-Prefeito da chapa do Prof. Ernani Rodrigues, quando foi vitorioso o prefeito Otaciano da Costa Barros.
Em 1958 é eleito Vice-Prefeito de Eduardo Nicodemo Occhi. Em 1962 sofre a segunda derrota política, perdendo a eleição de prefeito para Francisco Moacir da Silva.
Depois foi prefeito por três mandatos (01/02/67 a 31/01/71, 01/02/73 a 31/01/77 e 01/02/83 a 31/12/88) ficando quatorze anos à frente da prefeitura e ainda conseguiu fazer os sucessores em três mandatos. Chegou a ter tanto prestígio político que os adversários não apresentaram candidato nas eleições municipais de 1972, quando concorreu sozinho à prefeitura.
Devido ao parco espaço no jornal só citaremos algumas de suas principais obras: Edificou os prédios da Prefeitura Municipal, do Clube Recreativo Álbero Cattete Campos e da Delegacia e Quartel de Polícia; Urbanizou a Praça Santo Antônio e do Rosário; Construiu diversas escolas rurais, 24 casas populares, a Ponte “Deoclécio Cattete”, o Posto de Saúde "Dr. Mario Geraldo Meireles" (Fazenda do Pombal), a Biblioteca "Prof. Ernani Rodrigues" e o Matadouro Municipal; fez calçamento e rede de esgoto das ruas Governador Valadares, Sete de Setembro, Padre Vicente, Antero Furtado de Mendonça, 5 de julho, Cel. Joaquim Martins, Vereador João Cezar de Matos, Astolfo Mendes de Carvalho, Vereador Manoel Reis Moreira, Cesário Alvim, São Sebastião, Otávio Ramos, Praça Major Albino, Praça Sant'Ana, parte da Padre Baião e Avenidas Padre Sinfrônino de Almeida e Antônio Luiz da Silva Cruz; realizou as obras das Escadarias Dilermando Teixeira Magalhães e Amaro Ramos além do Lactário "Natalino Dornelas"
Os inimigos apelidaram-no de Caboré. De limão fez limonada. Transformou o pseudônimo, que tinha o objetivo de humilhá-lo, em uma logomarca das suas campanhas eleitorais.
Em 27/02/1990, uma terça-feira de carnaval, desfila pela primeira vez pelas nossas ruas a “Banda de Cá” idealizada pelo Dr. Jorge Sobral Venâncio, com os músicos Luiz e Aloísio Pinheiro, Jader Mendes, Fenderracha, Chicão do Lilico, Jorge, Tavinho e Tilúcio, é claro! Acompanharam a Banda várias pessoas caracterizando fatos em evidência na política, no dia-a-dia ou na TV, como os personagens da novela “Tieta” sendo representados por Mª de Lourdes Ribeiral Vieira (Perpétua), Sueli Vieira (Cinira) e Marcílio Vieira (Zé Esteves). No meio da folia, a folclórica Carminha Alexandre. Participaram da Banda: Elzo, Landinho, Zé Geraldo, Cidinho e as filhas Érica e Elaine, Juscelino, Rafaela da Maria do Zimbin, Ludmila Matos, Patrícia da Marília da Dona Araci, Fernanda do Custódio da Farmácia, Marley e as filhas Monique, Marcela e Marina, Tito, Titita e filha Talita, Tavinho do Jair, Isabela da D. Conceição, Luciano Ferreira, Graça Geraldo e a filha Mariana, Marcelo do João do Parquinho, Conceição Áurea e filho ao colo, Doidinho, Pedro Cid, Maria do Domício, Wilton, Robertinho do Sô Nego, Ildefonso, Ângela, Meire e Zezé Vieira, Thaís, Nathália e Fernanda, netas do Zizinho do Marcílio que da janela de sua casa observou o cortejo passar. Era o seu último carnaval. A terrível doença já minava a sua energia.
Em 06/07/1990 morre o generoso Prefeito José Vieira Neto depois de uma cirurgia para retirada do esôfago.
Prestativo, caridoso era querido e admirado pelos conterrâneos, principalmente os mais humildes a quem sempre estava pronto para ajudar. Sua bondade não tinha limites.
Era um lutador, sobrevivente dos vários contratempos da vida. A mãe, Belminda Queiroz Vieira, faleceu durante o seu parto. Órfão, desde o nascimento, foi criado pelo dedicado pai Marcílio Vieira. A empregada da casa, num descuido, esqueceu um resto de soda cáustica ao alcance da pequena criança que, aos dois anos, ingeriu um pouquinho, o suficiente para corroer e estreitar-lhe o esôfago, problema que carregou pelo resto da vida. Engasgava com um caroço de feijão. Aprendeu a cavalgar com cinco anos e com menos de dez uma vaca matou a égua em que estava montado.
Aos 31 anos, andando de bicicleta, desequilibrou-se e caiu de cima do Pontilhão do Henrique de Almeida, na Fazenda do Pombal. Por sorte e instinto, agarrou-se aos dormentes da estrada de ferro, balouçando o seu corpo, vindo a cair fora das pedras, o que seria fatal. Neste local, já houve queda de vários animais, todos morrendo.
Boiadeiro, açougueiro, comerciante, caminhoneiro viajou o país de norte a sul, muitas vezes junto com o fiel compadre Anito Siqueira.
Por último, tornou-se funcionário da prefeitura e de tanto fazer caridade, a população estimulou-o a ser candidato a vereador. Nas eleições de 1972 obteve a maior votação para vereador na história de Guidoval. Foram 556 votos, 25% dos votos dados ao Prefeito eleito Sebastião Cruz, que contabilizou 2194 votos.
Nas eleições de 1976 foi intimado pela população a candidatar-se a prefeito. O Professor Antônio Barbosa criou o slogam “O POVO QUER”. Obteve outra votação consagradora, alcançou 1801 votos, numa eleição com quatro fortes candidatos a prefeito.
Conciliador e pacificador, administrou o município buscando a paz entre as correntes políticas adversárias.
Realizou grandes obras durante a sua gestão: Construção do Prédio da Escola Estadual Mariana de Paiva, Escola Municipal "D. Leonor de Araújo Porto" no Ribeirão Preto, Prédio da Administração Municipal "Cid Vieira", Quadra de Esportes "Natalino Dornelas" e diversas casas populares na Vila Trajano; asfaltamento das ruas Capitão Antônio Ribeiro, João Januzzi, Sete de Setembro, São Vicente de Paulo, Santa Cruz, Padre Vicente e Governador Valadares, das Avenidas Padre Sinfrônino e Antônio Luiz da Silva e Cruz e das Praças Getúlio Vargas, Santo Antônio, Major Albino e Santana; parceria na construção da Ponte Guidoval-Rodeiro; instalação de energia elétrica e iluminação pública na Várzea Alegre, na Comunidade de Santa Bárbara e Ribeirão Preto; calçamento e rede de Esgoto da Rua Padre Baião, 13 de maio e prolongamento da Av. Antônio Luiz da Silva Cruz; Reservatório de Água na Rua do Alto e Poços Artesianos no Clube 66 e Rua Belarmino Campos; Reforma de várias escolas rurais e da Escola Municipal "Cid Vieira"; Instalação do Escritório da EMATER; Sistema de Recepção de TV (antena parabólica).
Como prefeito, colaborou com todos os eventos culturais durante seu mandato como: Construção e Inauguração do Clube 66, Sede da Corporação Musical Belarmino Campos, Festival de Batidas e Lançamento do Livro Saudade Sapeense.
Durante o seu mandato teve a felicidade de inaugurar o asfalto Guidoval-Ubá, obra conseguida através do admirável Governador Ozanan Coelho. Sorte de José Vieira Neto e de toda população guidovalense que não precisou mais comer poeira ao por o pé na estrada. Isto se os políticos atuais e futuros não deixarem a estrada acabar. Zizinho do Marcílio governou Guidoval por dois períodos, vindo a falecer antes de completar a metade do segundo mandato.
Uma das manias nacional é o futebol, em Guidoval também. Uma das páginas de glória de nossa história é o aguerrido Cruzeiro Futebol Clube. O ápice foi conquistar o campeonato da Liga Atlética Ubaense em 1990/1991, mas a história futebolística do município começou muito tempo antes.
Em 1922, uns rapazes que construíam a estrada de terra, à picareta, de Guidoval a Ubá criaram um time que levou o nome do fundador; “Antônio Joaquim Carneiro Futebol Clube”. Belarmino Campos jogou neste time. Mais tarde, fundou-se o Sapeense. O campo localizava-se no Largo, hoje a Praça Santo Antônio.
Depois o campo passou para a Rua do Alto, onde é hoje a Praça do Rosário, devida a uma Igreja do Rosário, que nunca chegou a ser totalmente construída. Como nesse local existia um grande cruzeiro e de tanto se falar que iam jogar lá no cruzeiro, o nome pegou e o time passou a se chamar Cruzeiro, nascido extra-oficialmente em 23/06/1943. Os fundadores foram Geraldo Luiz Pinheiro, Walace Azevedo Costa, Severino Occhi, José Alves de Freitas, Odilon dos Reis, Antônio Euzébio Pereira, Astolfo Mendes de Carvalho e outros. Em 30/03/1952 registrou-se o Estatuto, tendo como presidente o fazendeiro Antônio Ribeiro Meireles, bisavô do promissor craque Hugo que é filho do Emiliano que faz um excelente trabalho nas categorias de base do Cruzeiro.
O maior goleador do Cruzeiro foi o Tuninho Estulano. Para se ter uma idéia, contou-me o Mundico, o Cruzeiro foi lanterna de um campeonato com 18 clubes e mesmo assim o Tuninho alcançou a artilharia da competição. Ele guarda a medalha desta façanha.
Além do fantástico título de 1990, o Cruzeiro foi campeão em 1952 com os aspirantes na Liga Atlética Riobranquense e vice-campeão com a equipe principal no Torneio Regional. Conta-se que o juiz prejudicou o nosso clube na final contra o Aymorés de Ubá, que teve confirmado um gol irregular. Na linguagem popular: FOMOS ROUBADOS. Como consolo ganhamos o troféu da TAÇA DISCIPLINA por não ter nenhum jogador expulso durante o campeonato.
Quando pedimos uma seleção do Cruzeiro, de todos os tempos, são sempre lembrados: Zé Alan, Domício, Saninho, Zé do Juca, Paulo Pereira, Áureo Ribeiral, Moacir Gonçalves, Zequinha do Casin, Elier, Lilico, Vítor, Zé do Gil, Oséas, Saint'Clair, Landinho Estulano, Silvestre, Brás do Zé Firmino, Gonzaga do Duzin, Cândido do Zico Didu, Jorginho Cariá, Tuninho Estulano, Etiene, Luiz Tavares, Adão do Juca.
O melhor juvenil, em minha opinião, jogava com Vianelo, Luiz Pinheiro, Zé Maria Matos, Célio Teixeira Albino, Zé Américo, Dilermando Ribeiral, Zé da Conceição, Lucas de Freitas Vieira, Oscar Matos, Luiz Antônio Ribeiral, Cidinho Vieira, Chiquinho Matos e Eloir Máximo.
Em 31/12/1992 o Prefeito José Pinto de Aguiar, o Zequinha do Casin, termina o mandato iniciado por Zizinho do Marcílio.
Zequinha que tanto lutou para governar a prefeitura, acabou conseguindo por meios que NÃO desejava e tampouco imaginara. Com retidão, seriedade e controle das finanças públicas, honrou o mandato conquistado junto com Zizinho.
Num mandato pequeno, pouco mais de dois anos, realizou importantes obras para o município. Recordo-me do calçamento e repavimentação asfáltica de diversas ruas, Ampliação do Cemitério Municipal, construção de casas populares para famílias de baixa renda, extensão de redes de esgoto e elétrica, construção de pontes, bueiros e Escolas Rurais, Instalação de Iluminação em Luz Mercúrio na Praça Santo Antônio, Amplificador para a Torre de Repetidora TV, além de vários outros melhoramentos.
Na parte cultural fez aquisição de acervos bibliotecários, palanque para festividades culturais, incentivo aos compositores e cantores da terra, desfile dos alunos das Escolas Rurais no Dia 7 de Setembro, com uniformes Novos, adquiridos pela Prefeitura Municipal.
No dia 01/01/1993 o Prefeito Élio Lopes dos Santos inicia o seu governo. Eleito com 2563 votos impingiu a maior derrota eleitoral ao grande líder político Sebastião Cruz. Os adversários do Élio até hoje não sabem de onde ele tirou tantos votos. Élio é atualmente, de novo, o prefeito da cidade. Vamos dar tempo ao tempo para falar das suas administrações.
No mês de setembro de 1993 chega para dirigir a Paróquia de Santana o nobre Frei Adriano. No dia 25 morre o grande líder político Francisco Moacir da Silva. Uma verdadeira multidão seguiu o enterro do chefe político do antigo Partido Republicano. Guidoval estava ficando cada dia mais pobre de verdadeiros líderes.
Em janeiro de 1996 morre Sebastião Cruz. Guidoval estava ficando chata para ele. Perdera familiares, companheiros, amigos e adversários. Aos 85 anos de idade parte para nova morada, junto ao Criador. O povão acompanhou o corpo do guerreiro CABORÉ ao nosso campo santo.
Diz o poeta Marcus Cremonese em “De como eu amo uma cidade”: “Se tem festa, Guidoval é festa. / A igreja abriga no seu seio / todo esse povo que não se esquece de Deus. / Enquanto isso a bandinha lá fora / suspira dobrados reluzentes” ou ainda “se a morte rouba / um de seus filhos, todos choram / a perda do irmão que se foi” , poema que sintetiza a nossa alma generosa.
Encerro esta série de artigos lembrando dos versos cantados no Congado do Benedito Medeiros “Oh! Sinhá SANTANA! Tua casa cheira! Cravo e Rosa, olê lê! Flor de laranjeira!” e pedindo a nossa Padroeira para nos proteger hoje e sempre!