escrito por Ildefonso DÉ Vieira
O amigo Alencar Mayrink presenteou-me com o livro Ubá - Cidade Carinho, editado em 1980. Nele há várias referências à nossa terra. Transcrevo algumas.
Revolução Liberal de 1842O primeiro choque revolucionário, entre nós, registrou-se no território do Sapé (hoje Guidoval), durante a Revolução Liberal de 1842, chefiadas por Teófilo Otoni. O tiroteio, ou combate, feriu-se a meia légua, mais ou menos, da povoação sapeense.
Só conhecemos a versão oficial, contando as vantagens da tropa legalista e exagerando, por certo, as perdas das forças amotinadas.
A verdade é que os conservadores, ou legalistas do Presídio, remeteram dois grupos de soldados, para interceptar a correspondência e comunicação dos rebelados com a Vila de São Manoel da Pomba e Peixe (Rio Pomba).
O primeiro grupo, de apenas 7 homens (sob comando de José Gomes da Silva) e o segundo, de 26 soldados (sob comando de Francisco Simões de Assis). Mas os revolucionários não se intimidaram e houve cerrado combate.
O comandante do primeiro grupo, José Gomes, saiu com ferimentos no braço esquerdo, na coxa e na mão direita, além dos feridos Antônio Alves Paiva, Manuel Joaquim da Costa e Joaquim Alves Paiva, guardas nacionais. Dois soldados, porém, sofreram ferimentos maiores, sendo um, chumbado na testa.
Do lado dos rebeldes, todavia, as perdas foram bem maiores. Correu a versão, não averiguada, de que o próprio comandante, o Tenente Siríaco, foi morto.
Certo é que houve várias vítimas revoltosas. O informe Oficial fala em 11 mortos e 12 feridos. Na verdade, morreram Nenê Gato e dois outros, que não puderam ser conhecidos, porque, ficando na beira da capoeira, amanheceram tão inchados e com as feições tão alteradas, que não houve quem os qualificasse, reza a comunicação.
Nesse combate, distinguiram-se, pela facção legalista, o soldado José Tomé, do Corpo Policial, e pela facção revolucionária, Manuel José de Souza, filho de Albano José de Souza que, entusiasmado com a luta, mudou o nome para Manuel de Souza Batalha, dele descendendo numerosa progênie ubaense os Batalhas.
Fazenda
Sant'Ana da Serra
Na Fazenda Sant'Ana da Serra, formada por um fazendeiro de
bom gosto, inteligente, o Major José Justiniano Carneiro, a presença
de um italiano recém-chegado da Itália, agrimensor, que
aceitou convite para administrar uma grande fazenda no distrito de Sapé,
hoje Guidoval.
Pertencia a dois sócios: Dr. Júlio César de Queiroz Guimarães (engenheiro paulista) e o Conde de Afonso Celso, filho do Visconde de Ouro Preto. Tarquínio B. Grandis (1897) completou a colonização rural da fazenda com um número de 25 famílias (quatro nacionais, carreiros, terreireiros), edificou uma colônia com 20 cômodos de tijolos, cobertos de telha, substituindo as imundas senzalas, introduziu várias melhorias, construiu uma rede de caminhos.
É uma fazenda histórica. O novo proprietário, Dr. Luiz Senra de Oliveira, transformou a lindíssima casa residencial em luxuosa mansão para o veraneio, os salões ostentando telas de autores celebres, nacionais e estrangeiros.
Belarmino
Campos
Nasceu a 27 de maio de 1864, no distrito de Sant'Ana do Sapé.
Quando da fundação em 1891, do ATENEU SAPEENSE
foi eleito o professor Belarmino Campos, seu primeiro presidente.
Foi autodidata. Ocupou posições humildes, de início, sendo ourives e relojoeiro, comerciante, até que aprendeu a arte dentária, onde se fixou, revelando seu pendor científico na arte fotográfica e no manejo do cinematógrafo incipiente. Perseverante e dedicado, inteligente e tenaz, pôde dar enorme prestígio ao Ateneu Sapeense, esta entidade cultural, que dirigiu por dilatados anos.
Chegou a trazer ao Sapé de Ubá a mais famosa empresa teatral, dirigida pela célebre Itália Fausta. Deixou o convívio de seus companheiros e amigos no dia 9 de agosto de 1935, em Guidoval.
Informação do JG:
Itália Fausta nasceu em 1887. Era considerada uma
das maiores artistas brasileiras do início do Século XX. É
como se hoje se apresentasse na nossa humilde terrinha a atriz Fernanda
Montenegro.
Palavra livre
A Câmara
Municipal de Guidoval (MG) comemorava o aniversário da cidade, nos
anos 60. Após discursos caprichados dos inscritos, o presidente
anunciou a palavra livre.
O vereador Zé Carlotinha, analfabeto, já no quarto mandato sem jamais discursar, surpreendeu a todos.
Encaminhou-se à tribuna lentamente, ajeitou o microfone, respirou fundo e corroborou:
- A palavra continua livre! Mais não disse.